08 de abril de 2024

Juristas concluem anteprojeto de novo Código Civil

Proposta será agora discutida pelos senadores

  • ESPALHE ESSA NOTÍCIA
  • FacebookTwitterWhatsAppTelegramLinkedIn
ESPALHE ESSA NOTÍCIA
  • FacebookTwitterWhatsAppTelegramLinkedIn

Depois de oitos meses de trabalho, a comissão de juristas responsável pela revisão do Código Civil concluiu a votação de propostas de atualização do texto. Na última semana, o grupo formado por 38 juristas promoveu um esforço concentrado sobre a proposta de alteração de mais de mil artigos no atual código, que é de 2002.

O anteprojeto de código civil, que será entregue ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) , traz inovações para adequar as leis à conjuntura atual. A proposta ainda passará por discussão dos senadores – da qual participará a líder do PP, senadora Tereza Cristina (MS). “O Código Civil é fundamental para estabelecer a igualdade de direitos entre homens e mulheres, além de reger toda a vida dos cidadãos e suas famílias”, definiu Tereza Cristina.

O Código Civil  regula a vida do indivíduo desde antes do nascimento e tem efeitos até depois da morte, passando pelo casamento, regulação de empresas e contratos, além de regras de sucessão e herança. É uma espécie de “constituição do cidadão comum”. 

Os juristas rebateram algumas informações falsas sobre o trabalho do colegiado que circulam nas redes sociais. Em entrevista aos veículos de comunicação do Senado, o presidente da comissão, ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), repudiou os ataques.

” O Código Civil não trata de aborto, nem tampouco da relação entre humano e animal. São notícias estapafúrdias. Imaginamos que isso seja fruto desse fenômeno moderno das notícias falsas que inclusive está sendo tratado pelo texto. Estamos tratando de coibir essas noticias falsas por intermédio de plataformas digitais”, informou.

Como apontou Salomão, enfrentar as fake news é um dos pontos da parte sobre direito digital que pretende adequar o Código Civil ao entendimento dos tribunais. O texto trata de assuntos como o direito digital à intimidade, liberdade de expressão, patrimônio e herança digital, proteção à criança, inteligência artificial, contratos e assinaturas digitais. 

Com relação à herança digital, a ideia, segundo os juristas, é que os bens digitais de uma pessoa falecida, tais como senhas, dados financeiros, perfis em redes sociais  e programas de recompensa, como milhas de companhias aéreas, façam parte da herança. 

Inteligência artificial

Outro ponto é a regulamentação da inteligência artificial. No ano passado, gerou polêmica o uso de imagens da cantora Elis Regina, morta em 1982 e que foi “revivida” por meio de recursos de inteligência artificial (IA) em uma propaganda de automóveis. Segundo Salomão, a proposta do anteprojeto traz linhas gerais sobre a necessidade de autorização do uso da imagem gerada por IA e outros temas para não ficar defasado em relação a inovações tecnológicas.

Direito de família

Foi aprovada a ampliação do conceito de família para incluir vínculos não conjugais, que agora passam a se chamar parentais. A proposta visa a garantir a esses grupos familiares direitos e deveres, e busca reconhecer o parentesco da socioafetividade, quando a relação é baseada no afeto e não no vínculo sanguíneo.

A proposta de novo Código Civil trata de família anaparental (aquela na qual o grupo familiar não possui pais, mas apenas parentes colaterais, como irmãos e primos). A família monoparental (famílias formadas por mães ou pais solo) também está incluída. O anteprojeto também legitima a união homoafetiva, reconhecida em 2011 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A proposta facilita ainda a doação de órgãos pós-morte e estabelece normas para a reprodução assistida. O texto ainda prevê modificações na maneira com a qual animais, classificados como seres sencientes, são reconhecidos pelo Estado.

Divórcio

A proposta prevê uma nova modalidade de divórcio ou dissolução de união estável, que poderá ser solicitada de forma unilateral. Ou seja, mesmo sem consenso, uma só pessoa do casal poderá requerer a separação, sem a necessidade de uma ação judicial. Atualmente, existem três tipos de divórcio: judicial, quando há divergência; consensual; e extrajudicial, que pode ser feito em cartórios com consenso do casal e condições específicas.

Pelo texto proposto, para solicitar o divórcio unilateral, bastaria a pessoa ir ao cartório no qual foi registrada a união do casal. Após o pedido, uma notificação será feita ao outro cônjuge ou convivente. Depois de cinco dias, caso não atendida a notificação, que pode ser feita por edital, o divórcio seria efetivado.

Ao longo da semana, os juristas também discutiram e aprovaram emendas ao relatório em relação a temas como sucessão, usucapião, herança, guarda e regras para desburocratizar a abertura de empresas. Mais de 1100 propostas foram analisadas e votadas.

A comissão de juristas foi criada pelo Senado em agosto de 2023. Desde então, o grupo realizou encontros, audiências públicas e discussões sobre as mudanças no Código Civil. O colegiado também recebeu 280 sugestões da sociedade. Foi a primeira vez que juristas mulheres participaram da elaboração do código.

Com informações da Agência Senado

Notícias

16 de maio de 2024

Mulher vítima de violência doméstica terá atendimento preferencial no SUS

"Precisamos priorizar as mulheres, principalmente em momentos tão traumáticos", afirmou Tereza Cristina

Ler mais

15 de maio de 2024

Senado aprova diretrizes para adaptação à mudança do clima

Plano para prevenção e redução de danos será feito pelas três esferas de poder

Ler mais

Senado vai votar projeto que libera terrenos para hortas comunitárias

15 de maio de 2024

Ler mais

Senadores irão visitar cidades atingidas no RS

13 de maio de 2024

Ler mais

Congresso altera Orçamento para facilitar apoio ao RS

09 de maio de 2024

Ler mais