ATUAÇÃO

Entrevista Capital FM

Capital: Estamos recebendo nesta manhã a secretária de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo, Tereza Cristina Corrêa da Costa, que deve deixar o governo no próximo dia 5. Secretária, a senhora esteve em Nova Iorque com o governador André Puccinelli, participando da exposição “Mato Grosso do Sul visto pelo mundo”, uma mostra na ONU, na Organização das Nações Unidas, que expos as potencialidades culturais, turísticas, industriais e também do agonegócio sul-mato-grossense. Qual foi o resultado desta exposição?

 

Tereza: Foi muito proveitosa. Apesar de 4 dias em Nova Iorque, a mostra deixa a gente até emocionada, o governador foi recebido pelo embaixador (Antônio de Aguiar) Patriota, com toda a comitiva, um plenário cheio de pessoas, enfim, acho que pudemos fazer o que o Mato Grosso do Sul precisava e foi o único estado que foi sozinho à ONU, sem outros estados no conjunto. Então nós tivemos a oportunidade de mostrar um vídeo do Mato Grosso do Sul para toda aquela plateia, depois o governador falou algumas palavras, foi muito emocionante, essa primeira parte do dia lá. Depois nós tivemos uma amostra com todos nossos artistas, artesãs, pintores, escritores, enfim, toda a parte cultural e de turismo e que também foi um sucesso. A Lenilde cantou o hino do estado tocado em sua acordeon, o Marcelo Loureiro tocou músicas aqui da região, enfim, foi uma cerimônia encantadora e a gente sentiu nas pessoas que participaram que ficaram muito impressionadas com o que viram. Então a parte cultural acho que foi 10. Depois nós tivemos a parte de negócios, que já renderam alguns frutos. Nós tivemos com o presidente da ADM, na área de grãos, o presidente mundial, que nos confirmou um investimento aqui em Campo Grande de R$ 540 milhões numa fábrica de proteínas especiais. Em vez de moer a soja e fazer farelo e óleo só, esse farelo vai virar proteína para serem colocadas na alimentação humana. Em lácteos, tipo iogurte, para complementar a parte proteica, em hambúrgueres, que nós temos aqui várias fábricas – JBS, MAFRIG, Minerva – várias fazem hambúrgueres, então isso é colocado. No Brasil é a primeira fábrica e é a primeira fábrica da ADM fora dos EUA. Então nós tivemos esse privilégio de ir buscar e tivemos a resposta lá em Nova Iorque para uma conversa conosco, com o governador, para dizer a aprovação da fábrica e que começa a construção já em agosto. A ideia deles é que em agosto as estacas já comecem a ser fincadas aqui no distrito industrial. Para mim isso é fechar com chave de ouro a Seprotur, já que essa semana eu deixo a Secretaria, porque isso é o que a gente sempre quis: a agregação máxima de valor na cadeira do agronegócio e também mais quatro fábricas de milho para fazer etanol e um farelo altamente proteico, que é o DDG, que nós não temos aqui ainda e essas quatro fábricas, uma já está começando a se mexer lá em Chapadão e eles anunciaram mais quatro fábricas, então nós temos mais cinco fábricas no Estado. Depois que nós chegamos de lá, já veio uma equipe técnica que está fazendo uma vistoria em vários municípios do nosso Estado para ver onde estas outras quatro fábricas se instalarão.

 

Capital: O governo Puccinelli, nestes sete anos de governo, com grande emprenho do governo, é internacionalizar o nosso desenvolvimento, criar inclusive uma nova matriz econômica para o Estado através da industrialização, mas em um processo agroindustrial. É possível fazer um balanço disso. Porque tem muita coisa que diz que vai, do que veio e não vem e o que deixou de vir, o que o Mato Grosso do Sul ganhou de todo esse trabalho que foi feito, de toda essa articulação do Estado com o exterior.

 

Tereza: Essas coisas são demoradas. Você tem que plantar a sementinha e aguardar alguns anos para essas coisas acontecerem. Por exemplo, nosso primeira viagem foi a Japão. Agora o japonês ele é muito reticente, ele é muito planejado, e demora muito para acontecer, mas nós temos recebido ai empresas japonesas daquela visita que nós fizemos a seis anos atrás querendo vir para cá na área de madeira, na área de produtos químicos ligados a milho, soja, arroz, enfim, e celulose. Então eles vem depois de muito tempo, eles fazem várias incursões com comitivas enormes, eles conhecem, perguntam, reperguntam, perguntam de novo a mesma coisa para várias pessoas. Por que? Porque eles tem muitas dúvidas. Infelizmente, nós pegamos agora que nós estamos recebendo, dessa primeira missão, algumas empresas, nós estamos com problema do Brasil, não é do Mato Grosso do Sul. O Brasil hoje passa por uma crise de confiança no exterior. Os nosso números da economia. Então hoje tem muitas reticências em se investir no Brasil. Do Japão, agora que as coisas estão se fortificando. Nós já recebemos muitas empresas italianas que não vieram elas, mas venderam tecnologias para empresas que estão aqui. O que também isso é muito bom, na área de máquinas, de embalagens. Recebemos muitas missões dessas empresas que acabaram vendendo tecnologia aqui para empresas do nosso Estado e a China, que ficamos ai com essa empresa chinesa que está indo para Maracaju, que estão aqui já, sofrendo com a nossa cultura, a dificuldade na comunicação é um negócio extremamente sério, a gente não pensa que é tão sério, porque eles falam o inglês mal e nós falamos inglês mal e eles falam chinês e nós não falamos chinês, nós falamos português. Então a comunicação você perde muito tempo porque há um “misunderstending”, há um desentendimento de linguagem, mas as coisas estão acontecendo. Agora o principal que eu gostaria de dizer que estas missões trouxeram a parte do turismo. Nós temos recebido muita gente de fora. Eu não saberia aqui quantificar, dessas missões, o que vem, mas muita gente de fora tem vindo ao Estado conhecer o Pantanal, Bonito e o nosso Estado em geral. Andam por aí tudo, mais do que a gente pensa. De Mundo Novo, a Rio Verde, a Costa Rica, vem muita gente ao Estado conhecer. E muitos empresários. Isso que é o interessante. Vem, olha, pergunta, vê as condições, voltam, entendeu? Então é difícil você quantificar, eu acho que o resultado foi positivo. Você vê nessa viagem aos EUA, vamos dizer que só duas dessas aconteçam, a ADM, que já vai acontecer, já está decidido, a decisão tomada, e a de Chapadão, vamos dizer que as outras quatro não venham. Só ai, praticamente R$ 1 bilhão.

 

Capital: Agora, secretária Tereza Cristina, muito se fala mesmo no turismo, a senhora falou: olha, nós conseguimos alavancar a situação do turismo no Mato Grosso do Sul, mas ainda tem muito a percorrer o turismo do nosso Estado. Porque sempre se fala: olha o turismo é importante, mostrar o Mato Grosso do Sul, as pessoas conhecerem o nosso Estado, vem-se trabalhando muito em cima disso, mas parece que não anda na mesma velocidade que nós gostaríamos que fosse.

 

Tereza: Com certeza, e não é só o do Mato Grosso do Sul, é o do Brasil. A nossa costa, a costa brasileira é belíssima, enorme e nós não temos o fluxo de turistas que nós deveríamos ter. Nós temos problemas sérios de infraestrutura. Campo Grande mesmo tem um problema de voo complicado. Nós temos poucos voos, em horários ruins, e as conexões, agora, depois de sete anos, é que estamos conseguindo Bonito ter um voo três vezes por semana, Dourados agora começou a ter dois voos por dia, mas volta e meia você pega o jornal e vê lá “O avião não chegou” ou “não passou”, Três Lagoas, depois de muito tempo. A infraestrutura de nossos aeroportos regionais também demoram demais. Isso foi pedido desde o primeiro governo, mas agora que estão sendo concluídos, pelos menos os equipamentos básicos para desce um jato, que para descer um jato não é só fazer a pista, você precisa ter uma série de aparelhos, você precisa ter corpo de bombeiros, enfim, então não é fácil essa estrutura no Brasil, infelizmente. Mas o nosso estado hoje não é um ilustre desconhecido como ele era sete anos atrás. Em vários lugares, você chega e as pessoas já sabem que existe o Mato Grosso do Sul, as vezes até nos confundem com o Mato Grosso, mas sabem que nós existimos. Antigamente a gente chegava lá e ninguém nem sabia. O Brasil era São Paulo, rio de Janeiro, Minas Gerais e ponto final. Então hoje, em muitas partes do mundo, as pessoas, as embaixadas, empresários, já sabem que o Mato Grosso do Sul existe, pelo menos no mapa.

 

Capital: A senhora falou aí da China e a China, me parece, é o maior comprador de carne de Mato Grosso do Sul, como é que está a carne de Mato Grosso do Sul com relação a Aftosa, a todos aqueles problemas que tivemos no passado recente, secretária?

 

Tereza: Graças a Deus, Mato Grosso do Sul está voando aí, há mais de 4 anos, em céu de brigadeiro, quando nós fomos liberados livre de aftosa com vacinação. O nosso rebanho hoje está altamente imunizado, cada dia mais temos controle sobre o trânsito desses animais, que é isso que eles querem, o problema hoje não é mais a aftosa, o problema hoje é a segurança de que a gente sabe o que está acontecendo no Estado. Nós temos hoje programas na Iagro de controle que são muito sofisticados, muito apurados, que nós temos com facilidade tem como saber, vamos dizer que por desgraça volte a acontecer um foco, a gente tem como detectar, saber que animais saíram, para onde foram e você rapidamente fechar aquele município. Porque acabou, antigamente no Brasil você tinha um circuito, antigamente você fechava o Estado inteiro, então você tinha como brigar com os outros estados, entendeu? Então fechava o Mato Grosso do Mato Grosso do Sul, porque era um circuito. Hoje não. Hoje se ficar fechado um Estado fecha só o Mato Grosso do Sul e isso seria um desastre. Os produtores hoje já tem o conhecimento, já sabem e esse controle foi muito aprimorado. Tanto é que hoje na fronteira, estamos começando a colocar um sistema de brinco eletrônico onde nós vamos ter o conhecimento do animal individualmente, saber que ele é, porque será um sistema de chip e você terá um controle bem melhor do que no tinha passado com o sistema de brinco visual.

 

Capital: Com relação ao próprio mercado, a gente viveu muito tempo aqui no Mato Grosso do Sul uma época de frigoríficos sazonais. Época boa para frigorífico de repente começava a quebrar e tal. Isso é só passado também, secretária?

 

Tereza: Olha, eu acho que ainda não. Esse setor ainda tem que evoluir mais, mas hoje está bem melhor do que antigamente. Hoje nós temos dois grandes grupos no Brasil e depois nós temos frigoríficos médios. Estes frigoríficos médios vem ganhando dinheiro nos últimos anos. O que é muito bom, porque eles estando em é uma certeza para o produtor de que eles não terão problemas, mas ainda temos frigoríficos fechados, ainda temos gente que abre o frigorífico e fecha, em muito menor intensidade do que foi no passado, mas aí, desde o ultimo fechamento que foi o Independência, nós não tivemos mais nenhum problema, graças a Deus, aqui no Estado.

 

Capital: Secretária Tereza Cristina, usinas de álcool em nosso estado, como é que está essa situação?

 

Tereza: Preocupante. Muito preocupante. Não as usinas em nosso estado, mas o setor no Brasil não vai bem. O problema de segurar o preço da gasolina e do diesel trouxeram uma distorção muito grande para o álcool trazendo problemas seríssimos para o setor. Essa é uma preocupação grande que eu tenho, porque as usinas estão trabalhando no vermelho, mesmo sendo grandes grupos que tenham outras receitas de outras atividades, chega uma hora que o cara fala: chega de ter prejuízo, vamos fechar. E eu acho que fechar uma usina, por exemplo, em Rio Brilhante, em Nova Alvorada... Eu fui a Caarapó sábado. Caarapó é um canteiro de obras por causa da usina. É impressionante o crescimento de uma cidade em função de uma usina. Vários loteamentos, casa novas, em construção. O município ficou outra coisa. Fecha uma usina dessas é uma catástrofe. Então nossa preocupação é grande... temos uma usina fechada aqui no Quebra-Coco, o distrito ficou um distrito fantasma. Foi asfaltado, chegou lá tudo o que precisava e agora que eles estava na hora de desabrochar, nós temos uma usina fechada causando grande prejuízo para os produtores e para a população, para a comunidade. Nós temos outra usina fechada em Nova Alvorada, se bem que lá tem outra usina que supre, mas também é um problema. E temos outras usinas que temos ouvido dizer que não estão pagando seus fornecedores, com problema, com atraso e isso é muito preocupante porque a injeção de recursos no município é muito grande que essas usinas fazem. Então nós estamos preocupados. Tem dois agravantes para nós aqui: a seca, que pegou em cheio os canaviais, diminuindo a produtividade, e depois a geada. Então esse setor nos preocupa muito e esperamos que o governo federal faça alguma para que o preço do etanol melhore para que essas usinas possam voltar a ter lucratividade e continuar investindo e fazer as ampliações que estavam programadas aqui para o nosso estado.

 

Capital: Estes anos que passou a frente da Seprotur, de muito trabalho de muita dedicação ao Estado de Mato Grosso do Sul, principalmente, um balanço do que conquistou realmente, acho que essa foi a maior conquista para o Estado do Mato Grosso do Sul, juntamente com os outros secretários, juntamente com o governador, qual foi a maior conquista nestes anos aqui para o desenvolvimento do nosso estado?

 

Tereza: Eu acho que a industrialização, a agregação de valor foi muito importante, porque quando um estado só produz grãos e carne, as commodities são sujeitas as intempéries internacionais. Então vê a soja, quando ela esteve com o preço lá embaixo, deixou o estado mal. Agora ela subiu, os municípios estão melhores, o estado arrecada mais ela deixa recurso no município, mas se ela vai mal, é muito ruim a atividade para a cidade. Quando você industrializa, agrega valor, eu acho que isso te dá uma segurança maior para os municípios. Eu acho que isso foi uma conquista porque o governador ele, desde o início no seu programa de governo, era sua intenção a diversificação da matriz econômica aumentando a agregação de valor. Isso foi feito com outras Secretarias porque o desenvolvimento o Estado tem que correr atrás, porque a indústria chega e ela se implanta em uma velocidade que o estado não tem. Então a gente precisa fazer asfalto em volta da indústria, o prefeito precisa arrumar moradias... eu vi lá Caarapó, são dois mil funcionários que a Raizem tem lá, então tem um hotel de ótima qualidade, outro começando a construir, você tem conveniências, lavanderias, você cria toda uma rede de serviços que essas pessoas que chegam e que começa a ter um salário melhor começam a necessitar. Então eu acho que o desenvolvimento chegou no Estado. É uma pena que não conseguimos fazer isso durante estes sete anos no Estado inteiro. Isso aconteceu em algumas regiões. Na região leste do Estado, no Centro e no Sul do Estado... Eldorado era uma cidade fantasma, agora você vai a Eldorado é uma cidade que tem indústria, que está com a sua atividade econômica a pleno vapor. Mundo Novo também na época da aftosa, Iguatemi, aquilo tudo parecia faroeste antigo quando passava os bandidos e matavam todo mundo, hoje você tem atividade econômica lá forte. Então eu acho que isso foi um grande feito, a infraestrutura é necessária. Eu, por exemplo, penso que o próximo governo terá que fazer um sistema de pontes. Com a mudança da matriz econômica mudaram também a matriz rodoviária. Os caminhões hoje são caminhões muito maiores, muito mais pesados, e nós temos ainda pontes no Estado que são para 15 toneladas, não passa nem um caminhão de boi mais. Porque o caminhão de boi hoje é para 30 animais, 40 animais, e as pontes são ainda para caminhões pequenos. Então esse é um programa que vai precisar ser feito e é uma reclamação de todos os prefeitos. Mas acho que o governador, André Puccinelli, conseguiu mudar a cara do Estado na área de desenvolvimento, e eu faço parte dessa mudança com muito orgulho, muito me honra. Acho que estes sete anos que eu não consegui nem ir ao dentista, dá muito prazer para a gente ver o que melhorou o interior deste estado. A gente que anda por aí e vê, a gente vê o que modificou. O que precisa ainda? A região sudoeste. E a região Norte que reclama bastante, mas a região Norte também deu um pulo. Agora nós precisamos amadurecer com os investimentos que foram feitos lá, crescer e desenvolver mais. Mas ela já tem uma infraestrutura para receber esses investimentos que poderão vir aí.

 

Capital: A senhora tem alguma informação com relação a usina de Quebra-Coco, se está sendo arrendada, se essa usina vai voltar. Porque foi o que a senhora disse e infelizmente o pessoal daquela região sofrendo bastante com o fechamento daquela usina.

 

Tereza: Olha, só para eles ficarem tranquilos, eu acabei de sair de uma reunião com o prefeito Ari Basso, as 6h30 da manhã, justamente sobre esse assunto. Está caminhando, existem 2 grupos interessados, mas existe um problema jurídico que precisa ser resolvido na sexta-feira, mas se não foi nós vamos saber hoje, para que essa usina possa ser arrendada ou comprada, enfim, adquirida por um novo grupo. Essa negociação está em curso, o governo está apoiando no que pode, porque foi o que acabei de dizer, nós não podemos deixa o distrito morrer, então o empenho é total para fazer com que aquela usina seja absorvida por um outro grupo, tem dois grupos interessados.

 

Capital: A senhora entrega a Seprotur, a senhora vai sair candidata a deputada estadual, federal, já está resolvida essa situação?

 

Tereza: Olha, o meu nome está ai para o meu partido, para essa decisão, o partido é que vai decidir se vai ser federal, eu acho que a conversa inicial é essa, mas é o partido que vai decidir, mas o meu nome está ai para essa missão, o que o partido determinar é para onde eu vou.