Brics: cooperação integral para uma agricultura sustentável e inovadora   

Artigo para o Jornal O Globo do dia 12 de novembro de 2019

A XI Cúpula do Brics que se realiza este mês em Brasília – a terceira sediada no Brasil desde 2009 – foi intensamente preparada pelos ministros da Agricultura dos países membros. Atentos ao tema deste ano, “Crescimento econômico para um futuro inovador”, nós nos reunimos em Bonito (MS) durante dois dias do mês de setembro para concluir um documento que refletisse, no âmbito da agropecuária, as prioridades estabelecidas pela presidência brasileira do Brics para 2019: fortalecimento da cooperação em ciência e em economia digital.

É claro que as áreas e as populações rurais do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul têm características diversas e desafios próprios, mas as diferenças não impedem que construamos uma agenda comum para o desenvolvimento. Pelo contrário: identificamos em nossos países um potencial comum de revitalização rural que nos permite continuar avançando na erradicação da fome e da pobreza.

O primeiro e fundamental compromisso do Brics, que destacamos na Carta de Bonito, é com a agricultura sustentável, sempre orientada pela inovação. É neste o contexto que elegemos as práticas da bioeconomia como ferramentas propícias para garantir o aumento da produtividade com preservação da biodiversidade, recuperação de áreas degradadas e incentivo à produção de energia limpa.

Os parceiros do Brics têm consciência de que já precisam enfrentar o desafio de produzir alimentos e garantir a segurança alimentar sob efeito das mudanças climáticas. Nossos planos operacionais para o futuro próximo incluem ampliar a pesquisa, o uso da biotecnologia, da agricultura digital e de precisão. Sabemos que é com essa abordagem contemporânea, calcada na troca de informação e de conhecimento, que criaremos novas oportunidades de trabalho, de empreendedorismo e de renda no campo.

Democratizar essas oportunidades, diminuindo o fosso que separa os produtores rurais bem sucedidos dos que ainda lutam pela subsistência, é, no caso do Brasil, uma de nossas grandes lutas. Para mudar essa situação, é fundamental  modernizar e melhorar a assistência técnica que chega aos pequenos agricultores. Não podemos perder de vista que no Brasil a agricultura familiar emprega, segundo o último Censo Agropecuário, mais de 10 milhões de pessoas – 67% dos que se dedicam hoje a atividades rurais.

É urgente que a internet, que tem se disseminado fortemente no campo, chegue a todos os rincões do Brasil. Esse é o pré-requisito para se fomentar a agricultura 4.0.  Ainda segundo o Censo Agropecuário de 2017, houve um incremento de 1900% no acesso à internet na última década. Mas há muito a fazer – nada que um país que revolucionou a agricultura tropical não possa superar.

O Brics  se comprometeu ainda, na Carta de Bonito, a apoiar projetos de expansão de fibra óptica e banda larga sem fio nas áreas rurais, buscando integrar as cadeias produtivas. Para isso, recomendamos o financiamento, pelo Novo Banco de Desenvolvimento de Brics, de projetos de infraestrutura de comunicação nos setores de agricultura, pecuária, aquicultura e pesca.

Cobrindo vastos territórios, os países do BRICS são relevantes para a governança global pois respondem ​​por 35% das importações e exportações mundiais. Com a determinação de privilegiar a cooperação agrícola integral entre seus membros, essa importância só tende a crescer. O Brasil e seus parceiros trabalham por um sistema multilateral de comércio que seja transparente, não discriminatório, aberto, inclusivo e baseado na ciência. Uma meta que, unidos, certamente conquistaremos.

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Tereza Cristina é ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e deputada federal licenciada pelo DEM-MS

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