Tereza Cristina defende capacitação técnica em debate nacional sobre o déficit da balança comercial do leite

Ao debater o déficit da balança comercial de lácteos registrado no primeiro semestre de 2015 e medidas de incentivo às exportações de leite, a deputada federal Tereza Cristina defendeu a capacitação da pecuária leiteira como uma das alternativas para alavancar a produção no Brasil.

 

A defesa, feita durante audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural desta quinta-feira (27), veio junto com o anúncio do Ministério da Agricultura (Mapa), de que o governo federal vai destinar R$ 300 milhões para o Programa de Melhoria da Competitividade do Setor Lácteo Brasileiro.

 

“Precisamos lutar pela qualidade do leite que é produzido em nossos Estados investindo, primeiramente, em capacitação dos produtores que possuem sua renda mensal baseada no comércio leiteiro”, disse.

 

Tereza ainda contabilizou alguns pontos que podem contribuir para que o Brasil continue sendo um dos maiores produtores de leite do mundo e respondendo por 66% do volume total produzido nos países do Mercosul.

 

“Temos deficiência de infraestrutura em muitas localidades e precisamos das empresas que compram essa produção trabalhando em conjunto com quem comercializa este item. É preciso que façamos do leite mais uma das ‘estrelas’ dos artigos de importação brasileira. Os fundos específicos para alavancar consumo e produção, a rastreabilidade individual do gado são algumas das ações que podem contribuir para a importação e exportação de toda a cadeia leiteira”, avaliou Tereza Cristina.

 

Realidade local

 

Em Mato Grosso do Sul, Estado que a parlamentar representa na Câmara dos Deputados, existem atualmente cerca de 24 mil produtores rurais vivendo do segmento lácteo. Deste total, 15,1 mil são agricultores familiares que não conseguem produzir mais de 100 litros de leite/dia, sendo que a atividade para ser viável, precisa atingir produção mínima de 300 litros diários. 

 

Para mudar este cenário e promover o fluxo de informação e a aplicação de tecnologia na atividade é fundamental oferecer capacitação técnica continuada e infraestrutura adequada, o que não pode ser feito apenas com recursos estaduais, mas sim somando esforços ao governo federal.

 

Para contribuir com o desenvolvimento nacional e regional da produção de leite, Mato Grosso do Sul já tem ampliado suas ações. O programa estadual Leite Forte, criado pela Secretaria de Produção, pasta que a deputada Tereza comandou nos últimos anos, propicia esse trabalho de assistência técnica aos produtores e maquinário adequado para aumentar o volume de leite oferecido ao mercado.  

 

“É preciso aumentar essa oferta técnica para que o nosso Estado saia da 13ª posição do ranking nacional de produção de leite e aumente a produtividade, estimulando significativamente a cadeia leiteira em Mato Grosso do Sul”, ponderou Tereza Cristina.

 

Informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de janeiro a julho, mostram que o setor registrou um déficit em equivalente-leite de 358,5 milhões de litros, mais que o dobro do apresentado no total de 2014, que foi de 159 milhões de litros. De janeiro a maio de 2015, apesar da alta do dólar, as importações cresceram 37% em volume em comparação com os cinco primeiros meses de 2014.