Tereza Cristina fala dos principais gargalos que impedem o progresso do setor produtivo no país

A deputada federal Tereza Cristina foi a entrevistada do programa Palavra Aberta transmitido pela TV Câmara nesta quarta-feira (25). Durante a conversa ela lembrou a experiência acumulada durante anos à frente do agronegócio em Mato Grosso do Sul. Apresentado por Paulo José Cunha, o programa teve duração de quase 12 minutos onde Tereza aproveitou para destacar os principais gargalos que o país enfrenta para alavancar este segmento.

 

Desembarcando na Câmara dos Deputados pela primeira vez, mas com experiência no setor da agricultura e pecuária, Tereza Cristina acredita que o Brasil é um país com potencialidade de desenvolvimento. “Precisamos deixar de ser apenas potencial e passar a ser líder na produção de alimentos. Em 2050 o nosso país será responsável pela alimentação de 40% da população do mundo”, destacou. A expectativa é confirmada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

 

A parlamentar acredita que o país precisa planejar o futuro do agronegócio para atingir a meta prevista devido a sua importância estratégica. “A balança comercial tem apresentado nos últimos anos desempenho positivo em decorrência das exportações do agronegócio, mesmo o setor não tendo o peso e o respeito que merece por parte do governo federal”, disse.

 

Para reverte o quadro desfavorável a que Tereza se refere, o Ministério da Agricultura, um dos mais antigos, precisa ser reestruturado e remodelado. Segundo a deputada é preciso que se faça um planejamento para que o país deixe de ser só potência e se transforme num Brasil do agronegócio e da exportação de fato. “Sinto que agora existe essa sensibilidade por parte do Ministério, pois voltamos a ter este planejamento que não via há muito tempo”, avaliou.

 

Tereza lembrou que em outros países o cenário é favorável ao desenvolvimento das regiões e da nação. “O Japão pensa em prazos de 20 a 40 anos à frente. Os ápices importantes do mundo pensam em planejamento, em estratégia. Os Estados Unidos quando baixam seus estoques de alimentos transformam isso em problema de segurança nacional”, ponderou.

 

Para exemplificar esta situação, a deputada Tereza Cristina lembrou a importância dada ao setor do agronegócio nos Estados Unidos e como o Brasil encara o segmento. De acordo com Tereza a hidrovia do Rio Mississipi é menor que a hidrovia do Rio Paraguai (que atende Mato Grosso do Sul). Naquele país quem conduz a saída da produção é o Exército Americano, tamanha importância do Rio para a região. “Por lá passam todos os grãos. É a grande via de escoamento da produção deles”, detalhou.

 

No Brasil, conforme a deputada, o país ainda sofre com a falta de comando para a hidrovia do Rio Paraguai. “Este é o descaso que temos com a produção brasileira. O produtor sabe como produzir da porteira para dentro, mas não adianta nada se nossos custos cada dia ficam maiores e a nossa competitividade diminui quando nós não temos uma via de escoamento”, ponderou Tereza.

 

Segundo a deputada faltam modais de transportes para tornar a agricultura brasileira mais competitiva, já que o segmento possui preços mais atrativos. “Perdemos muito até que nosso produto chegue aos portos. Tem vários fatores que contribuem para isso como a burocracia, carga fiscal e as leis que não podem ser cumpridas já que algumas inviabilizam a agricultura”, declarou.

 

Quanto ao gargalo enfrentado para o escoamento da produção, a deputada afirmou que é preciso rever o cenário atual e investir em modais de transportes mais eficientes. “Temos que ter ferrovias, hidrovias, pois exportamos grande parte da nossa produção para outros países como da Europa e Ásia. Enfrentamos dificuldade seríssimas e um custo muito alto para escoar nossa produção”, criticou Tereza.

 

Existem avanços que podem ser comemorados de acordo com a deputada. Ela cita como benéfico para o setor a melhoria na concessão de créditos aos produtores. “Certos tipos de créditos possuem juros apropriados à agricultura, mas ainda temos uma boa parte dele que não é adequado. Hoje o crédito em si é algo que foi superado com a produtividade, com a nossa genética, as nossas pesquisas. O Brasil evoluiu muito na agricultura e na pecuária nestes últimos anos, agora é preciso que se façam ajustes”, avaliou.

 

O papel do Congresso Nacional é fundamental na avaliação de Tereza Cristina. Ela acredita que é preciso aperfeiçoar a legislação, só assim deputados e senadores podem contribuir com a reorganização do setor agropecuário, transformando o país em uma grande potência na produção de alimentos.

 

Existem ainda dois fatores preponderantes que atualmente incomodam o setor agropecuário, no julgamento da deputada. Um deles é a insegurança jurídica pela qual o segmento agropecuário tem vivenciado com a demarcação de terras indígenas e a questão logística para escoamento da produção.

 

Na opinião de Tereza o governo vai ter que dizer qual o tipo de política pública será adotada para resgatar essa segurança jurídica, que atualmente não existe no meio rural.  “Isso traz um prejuízo enorme. As pessoas deixam de investir ou estacionam seus investimentos nos municípios onde existem estes problemas”.

 

Para finalizar a entrevista a deputada federal disse que está confiante em fazer uma boa atuação na Câmara já no seu primeiro mandato. “Vim para esta Casa para auxiliar o meu Estado e o meu país cedendo a minha experiência no setor produtivo. Eu sou engenheira agrônoma e estudei para isso. Graças a Deus tive oportunidade de trabalhar todos esses anos na minha área. Quero dizer às pessoas que acreditaram em mim, que vim para ajudar o Brasil e o meu Estado a galgar alguns degraus no setor da produção”, finalizou a deputada Tereza Cristina.

 

Clique no link para assistir a entrevista. 

 

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/tv/materias/PALAVRA-ABERTA/482137-FUTURO-DO-AGRONEGOCIO-NO-BRASIL.html